Buendía

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O Desafio

In Desafio on julho 14, 2011 at 5:16 pm

A ideia do desafio surgiu num dia em que estava conversando com Danilo Lovisi (@DanLovisi) sobre o estilo de escrita de cada um. Insistíamos que nós dois tínhamos um estilo próprio e uma temática corrente para escrever. Propus, então, o seguinte: Escreveríamos cada um texto(s) no estilo do outro e depois postaríamos em nossos respectivos blog.

Teríamos, portanto, uma semana para desenvolvermos nossas idéias e nossos textos, eu escrevendo como Danilo e ele como Otávio.

Foram algumas tentativas para conseguir me aproximar do que seria um texto “daniliano”. Tinha que ser algo simples, leve, claro, sutil E profundo. Para escrever como Danilo, eu tinha que tentar me tirar da escrita, ser apenas um observador, assistindo a vida correr sem explicação. Não consegui, é claro, mas essa busca do sutil profundo quase foi captada. A sutileza é algo delicado de fazer, pois se encontra perfeitamente em cima de um ponto – se pesar um pouco, vira exagero, se diminuir demais, fica chato.

O resultado, então, foram os três continhos de QUARTO e o poema CAMINHO.

Para conferir o que o Dan produziu, acesse o seu (fantástico) blog Chaleira Muda. Aproveite para sentar, ler, respirar e tomar um chá.

Quarto

In Desafio on julho 14, 2011 at 5:07 pm

I. (da sombra)
A silhueta preta daquela menina que a gente vê cravada na parede. Se não dançasse, pareceria pinta. De onde ela vem? Do outro lado da porta, junto com a luz que passa no buraco da chave. Faz penumbra no muro branco. É sombra que clareia o quarto.
E é tanta vida que consegue entrar pelo buraco da fechadura.

II. (do ventilador)
Ligo o ventilador que me assopra (sem medo) os poros. Ah, se ele soubesse o quanto dói. Os dedos no botão girando para aumentar a velocidade – é preciso mais força para empurrar tudo embora. Mas as verdades que machucam não vão com o vento. Elas pesam e ficam por aqui, trancadas, para sempre.

III. (das senhoras)
Eu só queria te contar das minhas velhas senhoras, emolduradas nas janelas, com os cotovelos de fora, narrando saudades de seus tempos. Se pintavam de vermelho quando a rua ficava colorida – com bandeirinhas e fitas cortando o céu. Se vestiam floridas quando a missa descia o morro de pedras.
Ainda continuam comigo, em cima da mesa, amareladas e fechadas sob uma capa gasta.

Caminho

In Desafio on julho 12, 2011 at 1:53 pm

Olhar
As nuvens e caminhar
Por horas, por terra
Vestida de pó
Branca de festa
Bonita de fita

Levar
Os braços em dança
Em nós no ar
Com a mão cheia
Pra deitar no colo
E fazer ninar